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Linha do Tempo — Brasil
1999

TCABR inaugurado na USP

Um tokamak suíço de 1980 é comprado, revitalizado e reinaugurado no Instituto de Física da USP como TCABR — o maior tokamak em operação no Brasil.

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Visão geral

O ano de 1999 marca a inauguração do TCABR (Tokamak Chauffage Alfvén Brasileiro) no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Trata-se da aquisição de um reator de maior porte vindo da Suíça, que permitiu ao Brasil modernizar sua infraestrutura experimental e manter-se na fronteira da pesquisa mundial sobre fusão nuclear.

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Contexto histórico

Na década de 1990, a comunidade científica brasileira enfrentava o desafio de substituir o TBR-1, o primeiro tokamak da América Latina, que operava na USP desde 1979 e já estava tecnologicamente defasado.

Enquanto países como China e Índia realizavam saltos significativos no setor, o Brasil trabalhava com alternativas modestas devido à escassez de recursos e à ausência de um programa nacional de fusão estruturado. A solução encontrada foi a cooperação internacional para adquirir uma máquina já existente e comprovada.

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O que aconteceu

  1. Negociação internacional
    O Instituto de Física da USP negociou a compra de um tokamak de 1980 pertencente à Escola Politécnica de Lausanne, na Suíça.
  2. Investimento
    A aquisição custou cerca de 700 mil reais (em valores atualizados para 2014), financiados com o apoio da FAPESP.
  3. Inauguração e nomeação
    O reator foi reinaugurado em 1999 sob a denominação de TCABR.
  4. Capacidade técnica
    Desde sua instalação, consolidou-se como o maior tokamak em funcionamento no Brasil, permitindo experimentos mais complexos do que os realizados anteriormente.
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Impactos

Científico
Focou em pesquisas avançadas sobre o aquecimento de plasmas por ondas de Alfvén, técnica que utiliza radiofrequência para elevar a temperatura do plasma a níveis extremos.
Tecnológico
Representou um salto na capacitação experimental nacional, servindo como laboratório para o desenvolvimento de diagnósticos e modelagem teórica.
Internacional
Estreitou a colaboração entre a academia brasileira e centros de excelência europeus vinculados à rede Eurofusion.
Social
Contribuiu para a formação e fixação de novos físicos e engenheiros brasileiros especializados em ciência nuclear de fronteira.
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Legado

A operação do TCABR forneceu o lastro técnico e científico necessário para a criação da Rede Nacional de Fusão (RNF) em 2006. Além disso, o sucesso das pesquisas realizadas com esta máquina foi fundamental para justificar a assinatura do acordo de cooperação entre o Brasil e a Euratom em 2009, garantindo que o país não fosse apenas um espectador, mas um participante ativo na era do projeto ITER.

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Curiosidades

Origem do nome

O termo “Chauffage” no nome TCABR significa “aquecimento” em francês. O nome é uma homenagem à sua origem suíça (Lausanne) e à sua especialidade técnica: o aquecimento do plasma via ondas de Alfvén.

Reciclagem científica

O TCABR é um exemplo de como o talento nacional pode reaproveitar tecnologias. Uma máquina construída na Europa em 1980 foi revitalizada por pesquisadores da USP e continua produzindo ciência de alto nível no Brasil décadas depois.

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Referências

  1. 01PESTANA, Augusto. ITER, os caminhos da energia de fusão e o Brasil. Brasília: FUNAG, 2015.
  2. 02MARQUES, Gil da Costa (Org.). IFUSP: passado e presente. São Paulo: Livraria da Física, 2005.
  3. 03PAULETTI, Ruy Marcelo de Oliveira; LIMA, Victor Manoel de Souza. A Engenharia da Fusão Termonuclear Controlada. Boletim Técnico EPUSP, 1995.