Primeiro reator de pesquisa do Brasil
Sob o programa "Átomos para a Paz", o Brasil assina o acordo que traria seu primeiro reator de pesquisa — a entrada prática do país na era nuclear civil.
Visão geral
Em 1955, o Brasil formalizou sua entrada prática na era nuclear ao assinar um acordo de cooperação com os Estados Unidos para a aquisição de seu primeiro reator de pesquisa. O evento, inserido no programa internacional "Átomos para a Paz", marcou o início das aplicações civis da tecnologia atômica no país, focadas em pesquisa científica, medicina e agricultura.
Contexto histórico
O cenário global era definido pela Guerra Fria e pelo fim do monopólio nuclear norte-americano com os testes soviéticos. Em 1953, o presidente estadunidense Eisenhower lançou o plano "Átomos para a Paz", oferecendo tecnologia nuclear civil a nações aliadas em troca do compromisso de não desenvolverem armas.
O Brasil, que até então era visto apenas como exportador de minérios, buscava autonomia tecnológica para impulsionar sua industrialização e sua medicina.
O que aconteceu
- Agosto de 1955Assinatura do "Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento da Energia Atômica para Fins Pacíficos" entre Brasil e EUA.
- Janeiro de 1956CNPq e USP firmam convênio para criar um centro de pesquisas e instalar o reator em São Paulo.
- Agosto de 1956Fundação do Instituto de Energia Atômica (IEA), atual IPEN, para gerir as novas instalações.
- Julho de 1957Início da operação do reator IEA-R1, o primeiro a funcionar no Hemisfério Sul.
Impactos
Legado
A instalação do primeiro reator institucionalizou a ciência nuclear brasileira, levando à criação da CNEN (1956).
Esse marco experimental forneceu a base técnica necessária para que, anos depois, o país pudesse projetar o reator Argonauta (1965) e buscar o domínio completo do ciclo do combustível.
Curiosidades
O reator "piscina"
O modelo IEA-R1 era do tipo "piscina", onde o núcleo fica submerso em água para resfriamento e proteção contra radiação.
Combustível emprestado
No início, os EUA não vendiam o urânio: eles "emprestavam" cotas de 6 kg de urânio enriquecido para o funcionamento do reator brasileiro.
Pioneirismo no ensino
Com o entusiasmo gerado pelo acordo, a Faculdade de Medicina da USP tornou-se, em 1954, a primeira escola médica fora dos EUA a incluir a radiobiologia como disciplina obrigatória.
Referências
- 01ANDRADE, Ana Maria Ribeiro de. A opção nuclear: 50 anos rumo à autonomia. Rio de Janeiro: MAST, 2006.
- 02FONSECA, Marcelo Luiz Mendes da. O CNPq e o ideal desenvolvimentista de JK. EEC, 2011.
- 03LARA, Jorge Tibilletti de. Radioisótopos no Brasil (décadas de 1950 e 1960). Revista História em Reflexão, 2025.
- 04PATTI, Carlo. O programa nuclear brasileiro entre passado e futuro. Boletim Meridiano 47, 2013.
- 05SANTOS, Tomé Sudário Gomes Ferraz dos. A política nuclear brasileira até 1964. Dissertação de Mestrado, PUC-SP, 2007.
- 06GONÇALVES, Odair Dias. Programa Nuclear Brasileiro: Passado, Presente e Futuro. Apresentação CNEN.