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Linha do Tempo — Brasil
1979

Início do Programa Nuclear Paralelo

Em 1979, o regime militar lança o Programa Nuclear Paralelo — um esforço secreto e autônomo para dominar o enriquecimento de urânio fora das salvaguardas internacionais.

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Visão geral

O ano de 1979 marca o início do Programa Nuclear Paralelo (também conhecido como Programa Autônomo), um projeto secreto de desenvolvimento tecnológico conduzido à margem do acordo oficial com a Alemanha. Surgido da necessidade de garantir a soberania nacional, o programa focou no domínio de tecnologias sensíveis, como o enriquecimento de urânio, que enfrentavam restrições e pressões internacionais.

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Contexto histórico

Ao final da década de 1970, o Brasil percebeu que o Acordo com a Alemanha Federal não entregaria o domínio total do ciclo do combustível, especialmente devido à ineficácia do método de enriquecimento transferido (jet nozzle) e às pressões do governo Carter (EUA) para impedir o acesso brasileiro a tecnologias duais.

Em um cenário de crise econômica e isolamento diplomático, o regime militar decidiu investir em um esforço de pesquisa puramente nacional, sem a supervisão de salvaguardas internacionais, para evitar que o país ficasse tecnologicamente “refém” das grandes potências.

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O que aconteceu

  1. 1979
    Instituição do projeto sob a coordenação da CNEN e implementação pelas três Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica).
  2. Anos 1980
    O foco principal foi a tecnologia de ultracentrifugação para o enriquecimento de urânio, o projeto de reatores para propulsão naval e estudos sobre explosivos nucleares.
  3. Setembro de 1987
    O programa torna-se público quando o presidente José Sarney anuncia que o Brasil havia alcançado a capacidade de enriquecer urânio de forma independente.
  4. 1990
    O presidente Fernando Collor encerra formalmente o programa secreto, unificando-o ao programa civil e fechando o campo de testes na Serra do Cachimbo.
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Impactos

Tecnológico
Levou à criação de centrífugas nacionais de alta performance, colocando o Brasil no seleto grupo de países que dominam o ciclo completo do combustível nuclear.
Político
Gerou tensões e desconfianças internacionais sobre as intenções militares do Brasil, mas garantiu a autonomia estratégica do país no setor atômico.
Internacional
O Brasil operou por mais de uma década sem obedecer às restrições do cartel de fornecedores (Nuclear Suppliers Group), vindo a aceitar salvaguardas abrangentes apenas nos anos 90.
Científico
Consolidou centros de excelência, como o Centro Tecnológico da Marinha em Iperó (Aramar), fundamentais para o atual projeto do submarino nuclear.
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Legado

O Programa Paralelo é o responsável direto pela independência tecnológica que o Brasil ostenta hoje. As tecnologias desenvolvidas pela Marinha no período secreto permitiram a inauguração da planta de enriquecimento da INB em Resende e sustentam o atual Plano Energético Brasil 2030, que prevê a conclusão de novas usinas e o pleno abastecimento nacional com urânio próprio.

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Curiosidades

O Poço de Cachimbo

O programa incluiu a construção de um poço de 320 metros na Serra do Cachimbo (PA), projetado para testes de explosivos, que foi lacrado com uma pá de cal simbólica pelo presidente Collor em 1990.

Tecnologia Pura

Enquanto o programa oficial com a Alemanha era vigiado e dependente de componentes importados, o Programa Paralelo foi apelidado de “Autônomo” porque forçou os cientistas brasileiros a criarem soluções do zero para cada desafio técnico.

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Referências

  1. 01PATTI, Carlo. O programa nuclear brasileiro entre passado e futuro. Boletim Meridiano 47, 2013.
  2. 02SOUZA, Fabiano Farias de. Acordo Nuclear Brasil-Alemanha Federal de 1975. Dissertação de Mestrado, UERJ, 2009.
  3. 03GONÇALVES, Odair Dias. Programa Nuclear Brasileiro: Passado, Presente e Futuro. Apresentação CNEN.
  4. 04SCHMIEDECKE, Winston C.; PORTO, Paulo Alves. PRONUCLEAR e a Formação de Recursos Humanos. Circumscribere, 2008.