Angra 1 entra em operação
Em 1985, Angra 1 consolida sua operação comercial e inaugura no Brasil a era da geração elétrica de origem nuclear em escala industrial.
Visão geral
O ano de 1985 marca a consolidação da entrada do Brasil na era da geração comercial de energia atômica com a operação plena de Angra 1. Batizada de Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto e localizada em Angra dos Reis (RJ), a usina tornou-se o primeiro reator de potência do país a gerar eletricidade em escala comercial para o sistema nacional, após um longo e conturbado período de construção e testes.
Contexto histórico
O projeto de Angra 1 foi concebido no final da década de 1960 sob a ótica do “Brasil Grande”, em um cenário de otimismo econômico e necessidade de expansão da matriz energética para sustentar a industrialização.
Em 1971, o governo optou pela tecnologia norte-americana da Westinghouse, assinando um contrato que, na prática, fornecia uma “caixa-preta”: o Brasil recebia a usina pronta, mas sem acesso total aos detalhes técnicos do núcleo ou ao domínio do ciclo do combustível, mantendo-se dependente da importação de urânio enriquecido dos EUA.
O que aconteceu
- Abril de 1972Início oficial das obras civis em Itaorna, Angra dos Reis.
- 1977Prazo original para o início da operação, sucessivamente adiado devido a falhas de planejamento e problemas técnicos inesperados.
- Abril de 1982A usina é sincronizada pela primeira vez ao sistema elétrico nacional, iniciando uma fase exaustiva de testes de potência.
- Novembro de 1984Início formal da operação comercial de Angra 1.
- 1985A usina supera as dificuldades iniciais de comissionamento e passa a operar de forma contínua em escala comercial, gerando os primeiros resultados econômicos efetivos.
Impactos
Legado
Angra 1 foi a usina pioneira que estruturou o setor nuclear brasileiro. O aprendizado acumulado com seus erros de projeto e dificuldades de manutenção permitiu que a Furnas (e depois a Eletronuclear) desenvolvesse uma infraestrutura de suporte e equipes treinadas que seriam vitais para a operação de Angra 2 e para a manutenção da competência nuclear do país nas décadas seguintes.
Curiosidades
A “Usina Vaga-lume”
Nos primeiros anos, Angra 1 ficou conhecida pelo apelido irônico de “Usina Vaga-lume”, devido às constantes interrupções técnicas que faziam a usina “acender e apagar” frequentemente no sistema elétrico.
O desafio de Itaorna
A Praia de Itaorna significa “pedra podre” em tupi. O terreno pantanoso exigiu a cravação de milhares de estacas de aço e concreto para sustentar o peso do reator — um dos maiores desafios de engenharia civil da época.
Caixa-preta
Generais da época reclamavam que o contrato com os americanos era tão fechado que os técnicos brasileiros eram vistos apenas como “apertadores de botão”, sem permissão para abrir ou entender o que havia dentro dos componentes mais sensíveis da usina.
Referências
- 01RECKZIEGEL, Ana Luiza Setti. A Política Nuclear Brasileira e as Relações Internacionais (1946-57).
- 02SOUZA, Fabiano Farias de. Acordo Nuclear Brasil-Alemanha Federal de 1975. Dissertação de Mestrado, UERJ, 2009.
- 03BRITO, Sergio de Salvo. ANGRA 1: Balanço de uma experiência.
- 04CAMPOS, Pedro Henrique Pedreira et al. Ditadura, política nuclear e grupos empresariais.
- 05SANTOS, Tomé Sudário Gomes Ferraz dos. A política nuclear brasileira até 1964.