Política nuclear brasileira
O que existe, o que falta — e o paradoxo do maior país do Hemisfério Sul com Tokamaks ativos.
- Angra I/II/III — Angra dos Reis (RJ) • Eletronuclear
- IEN — Rio de Janeiro • CNEN
- CDTN — Belo Horizonte • UFMG/CNEN
- IPEN — São Paulo • USP/CNEN
- INB Caetité — Bahia • mineração de urânio
- INB Resende — RJ • conversão e combustível
- CTMSP — Iperó (SP) • Marinha do Brasil
O que é a Política Nuclear Brasileira?
É o conjunto de leis, instituições e programas que definem como o Brasil pesquisa, produz e utiliza a tecnologia nuclear — da mineração do urânio à geração de energia, da medicina à propulsão de submarinos. É uma das políticas nucleares mais completas da América Latina, mas enfrenta desafios sérios de financiamento e continuidade.
Quem participa?
Fonte: SBPC; BIFUSP/USP, 2023.
Como funciona?
- 1Diretrizes
Governo federal e Congresso definem as políticas e o orçamento nuclear.
- 2Regulação
A CNEN normatiza, fiscaliza e concede autorizações de operação.
- 3Combustível
A INB extrai o urânio e produz o combustível nuclear brasileiro.
- 4Operação
Eletronuclear opera as usinas; universidades operam os Tokamaks de pesquisa.
- 5Aplicações
Energia elétrica, medicina, indústria, agricultura, pesquisa e defesa.
Fluxo simplificado — cada etapa envolve múltiplas instituições e ministérios.
Onde ela impacta?
Angra 1 e 2 geram cerca de 3% da eletricidade do Brasil e mais de 30% da eletricidade do Rio de Janeiro.
Radiofármacos produzidos pelo IPEN atendem milhões de exames e tratamentos oncológicos por ano.
Três Tokamaks (USP, INPE, UFES) e reatores de pesquisa mantêm o Brasil no mapa mundial da ciência de plasmas.
Técnicas nucleares de irradiação melhoram sementes, controlam pragas e ampliam a conservação de alimentos.
Ensaios não destrutivos, medidores de densidade e traçadores radioativos otimizam processos industriais.
Propulsão nuclear naval — o Brasil é um dos poucos países que domina o ciclo completo do urânio para uso militar pacífico.
O que ainda falta
O Brasil não tem política pública estável para fusão nuclear. A pesquisa depende quase inteiramente de CNPq, FAPESP e CAPES — sujeitos a cortes. Sequer existem dados consolidados sobre o total investido em fusão no país.
Fonte: BARROS, M. defesaemfoco.com.br, 2021.
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