Pesquisa em fusão na USP, UFRGS e UNICAMP
Impulsionadas pela Crise do Petróleo, as universidades brasileiras consolidam grupos de pesquisa dedicados a trazer a energia das estrelas para os laboratórios nacionais.
Visão geral
O ano de 1974 simboliza o amadurecimento e a formalização das pesquisas em fusão nuclear e física de plasmas no Brasil. Impulsionado pela necessidade de buscar fontes de energia alternativas e inesgotáveis, o país viu o surgimento de grupos de pesquisa de excelência em universidades como USP, UNICAMP e UFRGS, que passariam a investigar a tecnologia necessária para “trazer a energia das estrelas” para os laboratórios brasileiros.
Contexto histórico
O cenário era de incerteza energética global devido à Crise do Petróleo de 1973, que forçou as nações industrializadas e em desenvolvimento a acelerar programas de autonomia energética.
Enquanto o governo brasileiro focava na energia de fissão — com a compra de Angra 1 e o Plano 90 de 1974 —, a comunidade científica nacional, que já estudava física de plasmas de forma isolada desde os anos 50, aproveitou o momento para consolidar grupos de pesquisa dedicados à fusão termonuclear controlada.
O que aconteceu
- Surgimento de grupos (Anos 70)Consolidação dos núcleos de pesquisa em USP, UNICAMP, UFRGS, além do ITA e do INPE, dedicados ao estudo do confinamento de plasmas.
- Transição acadêmicaA pesquisa brasileira deixou de ser puramente teórica para focar na construção de equipamentos experimentais próprios.
- Articulação em redeCientistas iniciaram um intercâmbio de conhecimentos que levaria à criação de eventos fundamentais, como a Escola de Verão sobre Física de Plasmas.
Impactos
Legado
O esforço iniciado em 1974 permitiu que a USP operasse, em 1980, o TBR-1, o primeiro tokamak construído na América Latina. Esse pioneirismo acadêmico garantiu que o Brasil mantivesse programas de fusão ativos por décadas, resultando em consórcios científicos modernos para a construção de máquinas esféricas — como o ETE no INPE — e mantendo o país no rol das nações que buscam a fusão como a “energia do futuro”.
Curiosidades
Energia “limpa”
Diferente da fissão nuclear usada em Angra, a fusão produz hélio, um gás inerte e não tóxico — o que tornaria os futuros reatores muito mais seguros ambientalmente.
Temperaturas solares
Para ocorrer a fusão em laboratório, o plasma precisa atingir temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius — mais quentes que o núcleo do Sol.
Combustível da água
Um dos combustíveis da fusão é o deutério, isótopo de hidrogênio abundante na água do mar, dando ao Brasil reservas praticamente infinitas de combustível.
Rumo ao TBR-1
Os grupos formados em 1974 seriam os responsáveis diretos por projetar e operar, em 1980, o TBR-1 — o primeiro tokamak da América Latina.
Referências
- 01PAULETTI, Ruy Marcelo de Oliveira; LIMA, Victor Manoel de Souza. A Engenharia da Fusão Termonuclear Controlada: Sua História e seu Futuro. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, 1995.
- 02PATTI, Carlo. O programa nuclear brasileiro entre passado e futuro. Boletim Meridiano 47, 2013.
- 03GONÇALVES, Odair Dias. Programa Nuclear Brasileiro: Passado, Presente e Futuro. Apresentação CNEN.